Há dias em que fecho os olhos e penso que tudo foi um pesadelo e espero que a vida, de alguma maneira, compense a escuridão. Mas só resulta por uns segundos porque temos que voltar para a realidade. Sei que dizem que a vida são dois dias e que devemos aproveitar todos os momentos mas há dias em que só apetece trancar-me no quarto, apenas com o escuro integral, em silêncio, sozinha com os meus pensamentos. Sem o burburinho das ruas, sem o som das tecnologias, sem os olhares julgadores, sem os sorrisos falsos, sem vida. Evitar os encontros e os desencontros, a rotina, o passado e o futuro.
Encontrei a saudade hoje e ela perguntou por ti. Perguntou pela nossa história, pelo amor. Senti-me vazia, sem luz. Vendo bem, isto ficou um tédio sem ti. Disse-lhe que não sabia de nada mas acabei relembrando momentos. Momentos teus, momentos nossos. Quando entravas em alguma divisão, parecia que trazias um amigo contigo, o sol. Todo o local se iluminava como o nascer do dia. Bastava um sorriso e tudo se concentrava em ti e tu sabias disso. Odiava quando estava no café com as minhas amigas, tu chegavas e elas deixavam de prestar atenção à nossa conversa. Tu sabias e mesmo assim continuavas a aparecer de surpresa só para me irritar. O riso campeão. Como eu passei a chamar. Aquela gargalhada que davas quando sabias que me estavas a tirar do sério. O riso que te passou a proteger. O riso que me ajudou a conhecer o teu sentido de humor. O riso que me desarmou muitas e muitas vezes. Aquele riso. O teu. Quando passeávamos pela cidade e tu tentavas dar-me a mão sabendo bem qu...
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