É impressionante como as coisas mudam. As pessoas, as relações. Desta vez estou a referir-me ao meu padrinho e à nossa amizade. Quando tudo isto começou eu era uma miúda e não tomava as atitudes mais acertadas e talvez por isso a nossa relação não tenha sido a melhor. Eu tinha inveja das mil e uma fotos que via de padrinhos e afilhados, dos jantares que faziam e de como eram todos amiguinhos porque eu não tinha isso. Se me dissessem que tudo isso ia mudar e nós íamos estar como estamos agora eu não acreditava. No outro dia disseram-me que se notava que eu gostava dele porque quando eu falo dele falo com orgulho. Mais pura das verdades. O maior dos orgulhos nele. Na pessoa que ele é. Tem o coração do tamanho do mundo e tem um espaço nele para todas as pessoas que são importantes. Confio nele cegamente, o que por vezes me assusta. Não tenho receio de lhe contar seja o que for porque eu sei que se for importante não sai dali. Não existem muitas pessoas na minha vida de quem eu posso dizer isso. Consegue fazer-me sorrir apenas com a sua chegada. Apesar de haver semanas que nem nos vemos, eu sei que ele esta lá se eu precisar de alguma coisa e espero que ele saiba que eu também. Ele diz que me odeia e que quando for embora vamos ver-nos de cinco em cinco anos e até podia ser de dez em dez porque cada momento com ele vale a pena e as memórias já são imensas. Sou uma pessoa melhor apenas por o ter conhecido.
Encontrei a saudade hoje e ela perguntou por ti. Perguntou pela nossa história, pelo amor. Senti-me vazia, sem luz. Vendo bem, isto ficou um tédio sem ti. Disse-lhe que não sabia de nada mas acabei relembrando momentos. Momentos teus, momentos nossos. Quando entravas em alguma divisão, parecia que trazias um amigo contigo, o sol. Todo o local se iluminava como o nascer do dia. Bastava um sorriso e tudo se concentrava em ti e tu sabias disso. Odiava quando estava no café com as minhas amigas, tu chegavas e elas deixavam de prestar atenção à nossa conversa. Tu sabias e mesmo assim continuavas a aparecer de surpresa só para me irritar. O riso campeão. Como eu passei a chamar. Aquela gargalhada que davas quando sabias que me estavas a tirar do sério. O riso que te passou a proteger. O riso que me ajudou a conhecer o teu sentido de humor. O riso que me desarmou muitas e muitas vezes. Aquele riso. O teu. Quando passeávamos pela cidade e tu tentavas dar-me a mão sabendo bem qu...
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