Muitas vezes, durante a minha vida, eu caí e senti que não tinha força para voltar a levantar-me. Então colocava uma máscara e fingia que estava tudo bem apesar de continuar no chão. Ia para a escola com um sorriso e chegava a casa ainda com ele. Durante o dia eu quase esquecia como o chão estava gelado e como o vento soprava, frio. À noite, na minha cama, quando não havia ninguém, eu tirava a máscara. Naquele momento não havia ninguém a quem dar justificações, ninguém para impressionar, não precisava de fingir. Podia ser eu mesma. E aí o medo chegava. Aquele medo que me paralisava. Ou melhor, paralisa.
Encontrei a saudade hoje e ela perguntou por ti. Perguntou pela nossa história, pelo amor. Senti-me vazia, sem luz. Vendo bem, isto ficou um tédio sem ti. Disse-lhe que não sabia de nada mas acabei relembrando momentos. Momentos teus, momentos nossos. Quando entravas em alguma divisão, parecia que trazias um amigo contigo, o sol. Todo o local se iluminava como o nascer do dia. Bastava um sorriso e tudo se concentrava em ti e tu sabias disso. Odiava quando estava no café com as minhas amigas, tu chegavas e elas deixavam de prestar atenção à nossa conversa. Tu sabias e mesmo assim continuavas a aparecer de surpresa só para me irritar. O riso campeão. Como eu passei a chamar. Aquela gargalhada que davas quando sabias que me estavas a tirar do sério. O riso que te passou a proteger. O riso que me ajudou a conhecer o teu sentido de humor. O riso que me desarmou muitas e muitas vezes. Aquele riso. O teu. Quando passeávamos pela cidade e tu tentavas dar-me a mão sabendo bem qu...
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